SAT

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A história de um dos serviços aéreos de segurança mais importante do país se entrelaça com a vida de Roberto Bayerlein, delegado responsável pela unidade, que se dedica ao SAT (Serviço Aerotático) desde a sua criação. Com mais de cinco mil horas de vôos, o que não faltam são histórias para contar, mas foi o gesto singelo de uma garota que se tornou o mais marcante em quase 30 anos de carreira.

 

Há 15 anos, a região do Vale do Ribeira tinha sido devastada por uma enchente. Durante uma pausa nas operações de resgate, Bayerlein foi surpreendido por uma garota de 12 anos. “Ela se aproximou de mim, entregou uma flor e agradeceu pelo que eu estava fazendo, por estar ajudando a salvar vidas”. O delegado carrega a flor para todos os lugares até hoje, guardada em sua carteira.

 

O caso não é exclusivo. As missões humanitárias são tão frequentes no dia a dia dos pilotos e tripulantes quanto as operações de apoio à Polícia Civil. Os pelicanos encurtam a distância e levam rapidamente órgãos de transplantes para pessoas que não podem esperar. A Polícia Civil possui diversos convênios, como o do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

 

A dedicação e o amor à profissão também têm os seus riscos. Os pilotos e tripulantes acabam arriscando a própria vida em defesa da sociedade. Um acidente em julho de 2001 matou os delegados Otávio Marcos Corrêa Viola Troviglio e José Maurício de Aguiar Cerciari e o investigador José Osório de Arruda Campos Rodrigues. O agente Marco Aurélio de Toledo ficou ferido gravemente e conseguiu sobreviver.

 

A equipe estava perseguindo um veículo na Rodovia Fernão Dias. Em uma paralela da estrada, o veículo parou e o helicóptero pousou na pista. Os policiais foram surpreendidos por tiros e tiveram que voltar rapidamente para a aeronave. No momento da decolagem, a aeronave encostou-se nos fios de alta tensão e acabou caindo em uma vala.

 

As situações são extremas: estados de calamidade, tragédias, resgate no meio da mata, perseguição policial. Para o Pelicano, helicóptero do Serviço Aerotático (SAT), do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), não há barreiras. O nome não é por acaso: os pelicanos são aves conhecidas por defenderem os filhotes com a própria vida, caso necessário. Em 14 de agosto, a unidade completou 27 anos nos céus de São Paulo, aliando tradição e tecnologia e se destacando no cenário nacional quando o assunto é serviço aéreo de segurança.

 

A sociedade mudou e outros crimes passaram a incomodar, como o sequestro. O SAT acompanhou essa transição e prestou apoio às unidades da Polícia Civil para a resolução das ações criminosas. Hoje, com os índices criminais em queda, os pelicanos têm se destacado na atuação humanitária.

 

Desde a sua criação até julho de 2011, as aeronaves do SAT apoiaram 3.608 perseguições, buscas e cercos. A unidade realizou 2.575 ações de instruções e treinamento de tripulação de policiais. Foram 1.706 operações em roubos a bancos, condomínios, empresas e residenciais.

 

Os helicópteros da Polícia Civil já encontraram 690 cativeiros e 1.804 locais de crime, localizaram 339 veículos, realizaram 277 escoltas de presos, fugas e intervenções em rebeliões, além dos 317 transportes de órgãos para doação. Foram 11.783 horas de vôo. A unidade tem 23 homens, sendo nove pilotos, 13 tripulantes e um policial que atua na área administrativa.

 

 

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